Departamento de Botânica da UFSC identificou fungos, líquens e plantas na Ponta do Coral

25 maio
BOTColeta

Foto: Maria Alice Neves

No dia 8 de maio de 2015 membros do Departamento de Botânica da UFSC fizeram um
levantamento de algumas das espécies de plantas, fungos e algas que ocorrem na Ponta do Coral.

O evento teve a participação de cerca de 30 pessoas e incluiu os professores Ana Claudia Rodrigues, Maria Alice Neves e Rafael Trevisan, além de alunos do PPG em Biologia de Fungos, Algas e Plantas, alunos do Curso de Ciências Biológicas da UFSC, alunos do Colégio de Aplicação e membros do Movimento Ponta do Coral 100% Pública.

O grupo concluiu que a área tem diversas espécies introduzidas, algumas que são invasoras agressivas, como o capim-colonião (Megathyrsus maximus), que tomou conta da parte mais próxima da ponta que fica perto da antiga Marina. Isso dificulta o acesso e a dominância dessa espécie ainda torna o local fechado e perigoso para visitantes devido ao uso indevido por parte de outras pessoas.

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Foto: Sesuvium portulacastrum / Maria Alice Neves

Apesar disso, foram identificadas muitas outras espécies nativas que podem ser melhor distribuídas caso haja um plano de remoção de invasoras em paralelo com a introdução de espécies nativas ornamentais ou de uso alimentar.

Durante a caminhada foram observadas e identificadas cerca de 70 espécies de plantas nativas e exóticas no espaço entre a calçada do Parque até a ponta da antiga Marina. Dentre as plantas que mais chamaram a atenção estão feijão-da-praia (Sophora tomentosa), aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius), mangue-branco (Laguncularia racemosa) além de espécies herbáceas como Alternanthera maritima, Fimbristylis spadicea, Desmodium incanum e Macroptilium atropurpureum.

Foram observadas 5 espécies ou gêneros de fungos e liquens. Certamente há muito mais espécies, mas em períodos de mais seca não foi possível observar as estruturas que permitem identificar os fungos, como as orelhas de pau e cogumelos, notou o grupo.

Foto: Parmelia / Maria Alice Neves

Foto: Parmelia / Maria Alice Neves

Dentre os fungos de importância ecológica foram encontrados decompositores de madeira, como Xylaria sp., que cresce aderido à madeira morta. Estes fungos têm um papel importante na ciclagem de nutrientes, transformando a matéria orgânica em compostos que serão liberados no solo podem ser reabsorvidos pelas plantas como alimento.

Nas cascas das árvores foi observado um pequeno número de liquens, como a Parmelia. O baixo número de liquens identificado provavelmente é reflexo da quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitida no local. A maioria das espécies é sensível a fatores poluentes, pois absorvem parte de seu alimento do ar que os circunda.

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Foto: Tricholoma sp / Fernanda Linhares

Uma espécie de cogumelo Tricholoma sp. também foi encontrada. Esse grupo de cogumelos tem grande importância na decomposição de matéria orgânica na serrapilheira e o micélio -parte do fungo que fica sob o solo e é invisível- é importante componente na compostagem e na formação de solos mais ricos em nutrientes.

Visando trabalhar e reintroduzir espécies nativas de interesse para fins de paisagismo, uma das ideias propostas pelo grupo da Botânica que esteve na área seria começar com a remoção do capim-colonião (Megathyrsus maximus). O próprio capim-colonião, depois de desidratado, poderia ser utilizado como forma de adubo com a introdução de micélio de fungos coletados no próprio local e que serviriam para decompor e melhorar a qualidade do solo, promovendo a riqueza do substrato para a introdução e crescimento de outras espécies de plantas.

Confira a lista de espécies registradas

Veja as fotos da saída na Ponta do Coral (abaixo)

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Uma resposta to “Departamento de Botânica da UFSC identificou fungos, líquens e plantas na Ponta do Coral”

  1. Charles Martins 26/05/2015 às 8:15 #

    Nasci e cresci na agronomica, e a ponta do coral nunca foi uma marina! foi sim um estaleiro de barcos e depois o estado tomou posse do espaço que era da Hoepck estaleiros! logo depois virou lavanderia do estado e prestava serviço para os hospitais da região inclusive o hospital da marinha e educandario 25 de dezembro que ficavam em uma especie de complexo na epoca ,junto ao colegio padre anchieta.

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