Perfil Ambiental

3 PONTAS

placas foto 3Pontas

Atualmente, a Ponta do Coral, em conjunto com a Ponta do Lessa, do Goulart e o Manguezal do Itacorubi são as últimas áreas naturais da Orla da Baia Norte, situadas à margem da Avenida Beira Mar do Distrito Sede de Florianópolis-SC.

A área das 3 Pontas é anexa à Zona de Amortecimento do Parque Municipal do Manguezal do Itacorubi e da Estação Ecológica – ESEC de Carijós, áreas consideradas patrimônio público, de preservação histórico-cultural, paisagística e ecológica.

A importância ecológica e biológica da área deve-se especialmente ao fato do ambiente compor um ecossistema considerado como um “berçário” da vida marinha, o manguezal e o seu entorno.

No Documento Técnico n° 157/2012, o ICMBio/SC destaca que “as áreas marinhas rasas e abrigadas, com fundos lamosos e silto-arenosos são especialmente ricas em biodiversidade, frágeis e criadouros naturais e/ou área de alimentação de diversas espécies, muitas de valor comercial como camarões, tainhas, robalos, meros, garoupas, siris, caranguejos, manjubas, corvinas e espadas”

Dados do Parecer Técnico n° 049/2012 da Assessoria Pericial do Ministério Público Federal – Procuradoria da República em Santa Catarina ressaltam a ocorrência na área de seis espécies incluídas na lista nacional das espécies de invertebrados aquáticos e peixes sobreexplotadas ou ameaçadas de sobreexplotação: Genidens barbus (bagre-branco), Lutjanus analis (budião), Micropogonias furnieri (corvina), Farfantepenaeus brasiliensis (camarão-rosa), Farfantepenaeus paulensis (camarão-rosa) e Litopenaeu schmitti (camarão-branco).

A baía norte de Florianópolis é um ambiente semiaberto de características estuarinas, dada por estuários de planície, onde as principais forças que geram a circulação hidrodinâmica são atribuídas à co-oscilação da maré, na baía, e à transferência de momentum, promovida pelos ventos2.

A área entre as 3 Pontas tem exatamente estas características estuarinas, com a presença de sedimentos argilosos médios2 correlacionados com o aporte fluvial do Rio Itacorubi.

De acordo com o Mapa batimétrico da baía de Florianópolis e plataforma continental adjacente à Ilha de Santa Catarina realizado por Mazzer2 a área entre as 3 Pontas (Coral, Lessa e Goulart) apresenta batimetria entre 0 e 3 metros, sendo as maiores profundidades encontradas em frente à Ponta do Goulart.

Portanto, é possível concluir que a potencialidade para desenvolvimento de atividades náuticas é muito baixa e baixa na região, conforme mostrou Mazzer2 no “Mapa de classificação de áreas da baía de Florianópolis quanto à potencialidade para desenvolvimento de atividades náuticas”.

É importante ressaltar que a qualidade da paisagem na Baía Norte – intensamente ligada à qualidade de vida da população que utiliza esta região para práticas de bem estar – depende fortemente da manutenção destas áreas naturais em meio ao cenário urbano da capital catarinense.

Ponta do Coral

_DSC4141A Ponta do Coral, uma antiga ilhota ligada à terra firme por um aterro do início do século passado, oficialmente conhecida como PONTA DO RECIFE, adentra ao mar da Baia Norte como um Promontório assentado em uma crista de rocha que faz parte do maciço central da Ilha de Santa Catarina. Esta é a última ponta da região central da cidade, outras foram aterradas para dar espaço aos carros (Avenida Beira-mar).

Pelas características físicas naturais, topografia baixa e plana, com formação de pequenas praias em sua orla com vegetação típica das espécies do manguezal e de grande potencial visual e contemplativo, segue ainda em harmonia com o Mar da Baia-Norte e as demais áreas verdes restantes já preservadas no seu entorno imediato.

As duas pequenas praias existentes – Praia do norte, com extensão de 350 metros e largura de 2 a 8 metros e a Praia do sul, com 400 metros e largura de 0 a 6 metros – são de águas mansas, areia amarelada e de textura média, aparecendo e desaparecendo com os movimentos de marés (Lei Municipal nº 5847 de 04 de junho de 2001).

O Parecer Técnico 032/2012 realizado pela Assessoria Pericial da Procuradoria da República em Santa Catarina aponta ainda que as areias das praias são quartzosas e compostas por fragmentos de conchas calcárias e que a área do pós-praia encontra-se reduzida uma vez que a margem foi fixada pela construção de um muro. O aterro também pode ter recoberto o pós-praia original.

As margens da Ponta do Coral, portanto, compreendem uma série de pequenas praias que enquadram-se como Área de Preservação Permanente (APP), ressalta o PT 032/2012. As áreas de costão, onde os afloramentos rochosos estão em contato direto com o mar, também são consideradas APPs.

A conclusão dos peritos é que apesar das ocupações nas margens, as funções ecológicas da Ponta do Coral não estão comprometidas, e que do ponto de vista do ambiente terrestre, sua recuperação paisagística e ecológica é, em grande medida, possível.

Segundo dados do Parecer Técnico n° 049/2012 da Assessoria Pericial do Ministério Público Federal – Procuradoria da República em Santa Catarina, referente à análise do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do empreendimento Parque Hotel Marina Ponta do Coral, cerca de 14.417 m2 ou 92% da área da Ponta do Coral é composta por vegetação exótica, sendo o restante (1.121 m2 ou aprox. 8%), nas bordas da área, composto por vegetação ombrófila densa em estágio inicial de recuperação ou manguezal (Área de Preservação Permanente), como a siriúba (Avicennia schaueriana) e o hibisco da praia (Hibiscos sp).

Vira-pedras (Arenaria interpres)/Foto: Fabricio Basilio

De acordo com o mesmo documento, para todos os grupos da fauna foram observados aspectos de sazonalidade: na porção terrestre foi identificada uma espécie de anfíbio, 3 de répteis e 43 aves (a maioria espécies marinho-costeiras, como o Thalasseus maximus – trinta-réis-real, espécie ameaçada de extinção). Não foram identificadas espécies que dependam exclusivamente da Ponta do Coral.

Em fevereiro de 2015, durante a Maratona do Coral, o Vira-pedras (Arenaria interpres), uma espécie de ave raramente observada na Ilha de Santa Catarina e que migra da América do Norte, foi registrada na Ponta do Coral.

Para o meio marinho, o Estudo de Impacto Ambiental realizado para fins de licenciamento do Hotel Marina Ponta do Coral identificou: 40 espécies da Ictiofauna, 08 espécies e 366 indivíduos da carcinofauna, 6 classes de fitoplâncton, 13 classes de zooplâncton, 6 famílias de ictioplâncton, 10 famílias de microfitobentos, 54 taxa de macrofauna bentônica e nenhuma espécie de mamífero aquático.

Alga verde e esponja

Alga verde e esponja/Foto: ECZ UFSC

Em uma nota contrária à construção do hotel, o Departamento de Ecologia e Zoologia e o Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFSC, ressaltam que a área marinha da Ponta do Coral abarca uma rica biodiversidade, como espécies de alga verde e parda, esponjas, ouriço-verde (Lytechinus variegatus, uma espécie ameaçada de extinção na categoraia “vulnerável tanto na Lista Oficial do Estado de Santa Catarina quanto na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção), corais pétreos, lesmas do mar, briozoários, caramujos, caranguejos, poliquetas e outros invertebrados marinhos.

Clique aqui para ver a restituição digital planialtimétrica da Ponta do Coral (Fonte: Diretoria de Planejamento do IPUF)

Ponta do Lessa

lessaTrata-se de uma ponta de terra firme que adentra o mar da Baia Norte como um Cabo, um promontório assentado numa crista de rocha que faz parte do maciço total da Ilha de Santa Catarina no Município de Florianópolis. A topografia é baixa e plana, com formação de pequenas praias em sua orla e abundante vegetação típica das espécies do manguezal.

Limítrofe, em sua face norte, ao Parque Municipal do Manguezal do Itacorubi, a área tem grande relevância ambiental, histórica e cultural. Ao lado Sul, face virada para a Ponta do Coral, há uma pequena praia de areia e águas tranquilas, só agitadas quando sopra o vento norte.
Possui extensão de 400 metros e largura de 2 a 18 metros.

Ponta do Goulart

_DSC4159A Ponta do Goulart configura uma elevação entre dois manguezais, O Parque Municipal do Manguezal do Itacorubi e Estação Ecológica de Carijós. Sendo assim Zona de Amortecimento dessas Unidades de Conservação e grande refúgio da avifauna local.

 

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